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PROJETO 4.6: ANO DE FABRICAÇÃO 1979

- Uma crônica de Cao Benassi -   Então, o tempo, esse impiedoso Chronos , que nem aos próprios rebentos poupa, me fez chegar aos 46 anos. E do alto deles, faço o meu balanço das paisagens que vivi. O que para muitos é um marco na estrada que a pavimenta com satisfação, o aniversário para mim, sempre foi só mais um marco do qual não posso me desfazer.  Todas as paisagens que vivi, me fizeram quem sou, sem-tirar-nem-pôr, como diria vovó Nica. De todas as paisagens, as dos tempos infantis, talvez, para o bem e para o mal, sejam as que mais me marcam. Das sombras dos amoreiros em flor aos louvores da igrejinha, da qual nunca me senti pertencente; dos domingos de caniço e samburá aos dias intermináveis de enxada na mão, o que era vivido com amargor, hoje é lembrado com saudade e com o senso de que essas paisagens poderiam ter sido melhores vividas. Daquelas rurais paisagens brasiliandenses, paisagens urbanas outras eram imaginadas e desejadas com muita força. Como O Todo é mente e ...

PESAR - OUTUBRO DE 2025

  PESAR, ANO 2, N. 22, OUT. 2025 Estamos no décimo mês do ano de dois mil e vinte e cinco. Neste número da série PESAR, iremos refletir sobre a inveja como interesse e foco. Para começar, a palavra inveja vem da palavra latina invidia, que por sua vez, deriva do verbo invidere. Esse verbo da língua latim é formado pelo prefixo in que significa contra, sem, negativo e pelo verbo videre, que significa ver. Assim, o sentido da palavra invidere é olhar com hostilidade ou olhar mal, refletindo o sentimento de descontentamento ou desejo de possuir o que é do outro.    A inveja não é mero desejo pelo que o outro tem, tampouco o sentimento de negação do merecimento alheio, mas sim um foco doloroso, ou seja, que causa dor ao perceber a diferença existente entre o que se é e o que se idealiza ser, tomando a posse alheia como régua. Neste sentido, há um interesse primordial que corrói a alegria do invejoso e transforma a admiração que existe em devir nele, noutras palavras, que...

PALAVRAS MAIS QUE PALAVRAS

Um poema de Cao Benassi  Sejam as tuas palavras fatores de soma para quem as ouvir Que sempre levem alívio e esperança façam o outro sentir Façam as tuas palavras sentido aos ouvidos de quem as ouvir Que sejam sempre um bálsamo  para alma, alento sempre em devir Sejam as tuas palavras sementes de esperança que façam surgir Flores de alívio suave Que brote na alma de quem as ouvir

AMAR É

Um poema de Cao Benassi  Amar é o perfeito voo de uma asa que se lança Da impiedosa dúvida, do medo que apavora Para a fé que desabrocha, flores de uma lembrança A crença no abraço, raios de uma nova aurora Amar é olho que no olho alheio vê um farol a guiar E sabe que no amanhã, um amigo gentil virá Amar é porto seguro para nossa alma ancorar É plantar esperança, que em solo infértil crescerá Amar é toque que acalma, é voz que alma conforta É afeto profundo, é afeto sincero, é afeto leal Amar é a chave que da felicidade nos abre a porta É um laço que une, é um laço sublime, é imortal.

SALMO PARA MEU AMOR

Um poema de Cao Benassi Para Gabriel  Devotado aos teus pés Rendo a ti o meu louvor Encantado com o que tu és Entrego a ti o meu amor Sol que ilumina o meu mundo Rompa da noite os seus véus E num sentimento profundo Sejas a luz dos olhos meus No teu peito, o meu altar Sem reservas, oferto meu ser Imolada seja ao nosso amar A beleza desse divino querer

DIVER NEU GERENCIA

Um poema de Cao Benassi  Para um poeta autista Na imensa teia de monstruosos sons, a minha mente se perde, Um simples toque do ar, na minha mente uma dor que não cede, Luzes gritam, luzes irritam, luzes que ameaçam em cores sem fim, O mundo intenso, um mundo insano, neurotípico, distante de mim, Em cada suspiro, cada gemido, cada passo, um eco que me aflige, E na dor, no suor e no sangue, o silêncio que a alma não atinge. A vida com o seu ritmo, harmonia e melodia que a todos conduz, Com suave e terna brandura, a mim só me cega, me rouba a luz, Odores bailam em minhas narinas, impiedosos invadem meu ser, Peço, imploro, procuro, e não há uma barreira para me proteger, Em cada voz, em cada som, em cada ruído que me invade, Me sinto só em meio a multidão, solidão em meu peito reside. Um mar de gente, como um mero rebanho avança sem ver, Que meneia a cabeça, aponta o dedo, sem querer entender, A gente se esforça, a máscara pesa, nosso esforço é em vão, Em cada olhar, em cada sorriso, e...

GERAR PARA VIVER

Um poema de Cao Benassi  Na tecelagem da vida Fios virtuosos se entrelaçam Amor e bondade se enlaçam  No gerar da alma desprendida Se uma mão se abre, nada lhe falta A semente doada se transforma em flor Pois aquilo que se esvazia por amor Transborda virtude que o ser exalta Pão repartido, palavra que acalma Um gesto nobre, retorno não cobra Na entrega que a alma se dobre Generosidade, engrandece a alma  

MINHA OBRA PRIMA

 Um poema de Cao Benassi  Para Gabriel  És a melodia ainda não tocada o acorde que ainda não soou a harmonia ainda não ouvida És    a abertura ainda não estreada a ária que a soprano não cantou a ópera que ainda não foi cantada És o libreto ainda não lido o épico que ninguém ouviu o épico ainda desconhecido És  o ritmo mais erudito  que os Deuses a mim intuiu e que no meu manuscrito és O amor  que ainda estou a compor

AMOR

Um poema de Cao Bneassi  No éter vasto, antes de tudo existir, Um pulso acendeu, a chama primordial. Não era luz, nem trevas, nem tempo porvir, Era sentimento, era Amor, força imortal. Pelo amor as estrelas bailam no céu, Pelo amor a terra passou a girar. Em cada flor, em cada coração, Doce melodia, é sua mão a nos guiar. O Amor rompe muralhas, ele desfaz a dor, Ele Inspira o bardo, a espada do herói. Ele é a ponte que une, o mais puro fulgor, Ele é a essência que nunca se destrói. Nas almas irmãs, num simples olhar, Ali, o Amor se faz lar, se faz mar, Onde a entrega flui, sem nada a pedir. Se faz um laço eterno, se faz amar. E assim, em cada beijo, em cada abraço, Em cada riso ou lágrima que venha rolar, O Amor se expande, preenche todo espaço, A mão divina que nos liberta, a nos salvar.  

MEU SOL

Um poema de Cao Benassi Para Gabriel  És o sol que acende toda a tua luz em mim, Não há noite escura quando me olhas assim, És o farol que minha alma guia, do princípio ao fim. És o brilho minha alma abraça, dela afasta a dor, Ilumina minha alma e me incendeia o seu calor, És o sol, que acende toda a tua luz em mim. Em cada sorriso, em cada olhar, vejo o seu fulgor, És melodia, és ritmo, és a harmonia do meu amor, Meu sol, que acende toda a tua luz em mim, És farol que minha alma guia, do princípio ao fim.

VIRTUOSAMENTE GRATO

Um poema de Cao Benassi   Com o orvalho da manhã, um simples obrigado brota, Meu coração se expande, a alma leve, a dor se esgota.  Por cada raio de sol que a terra ilumina e abraça,  Por cada brisa suave que pelo meu rosto passa,  No canto dos pássaros, na flor que se desabrocha,  A gratidão que me eleva, a minha vida renova,  Em cada pequeno gesto, uma bênção, uma boa-nova. Pelos laços que nos unem, pelo amparo que conforta,  Pelo apoio e pela mão estendida que nos guia à porta.  Nas palavras de carinho, no olhar que nos compreende,  Na força que persiste, no amor que sempre acende.  Em cada aprendizado, mesmo na dor que nos açoita,  A gratidão renasce, a esperança, novo ânimo suscita, Como um rio que flui constante, a alma sempre renova. Por cada gota de chuva que a seca ameniza,  Pelo pão na mesa farta, a fome que tranquiliza.  No silêncio da noite, nas estrelas que reluzem,  Nas lições que a vida com sabedoria...

ESTAR PRONTO OU ESTAR DISPOSTO: EIS A QUESTÃO

Uma crônica de Cao Benassi Às vezes, nossas atividades são tantas e nos tomam tanto tempo, que coisas essenciais, tais como o ócio, vão ficando em segundo plano. E não estou falando aqui de ócio no sentido que hoje conhecemos. Aquele que quando nossos ouvidos captam o signo linguístico, traz logo a imagem do ser em trajes menores, largado no sofá, sem fazer absolutamente nada. Reporto-me ao sentido original da palavra, que significa o tempo dedicado às coisas da alma.  Os últimos acontecimentos do cotidiano são desconcertantes. Pior que eles, só mesmo a forma como as pessoas, que sem capacidade alguma de distinguir fatos de opiniões e opiniões de verdades, se regozijam com a mentira e comemoram a morte. É desastrosa a condição humana neste que também é o meu tempo.  Já faz algum tempo que perdi a pouca disposição que eu tinha para as notícias tendenciosas da TV, para o cinema e seus folhetins panfletários e para tudo o que o capital e suas artimanhas nefastas armaram só para m...