DIVER NEU GERENCIA
Um poema de Cao Benassi
Para um poeta autista
Na imensa teia de monstruosos sons, a minha mente se perde,
Um simples toque do ar, na minha mente uma dor que não cede,
Luzes gritam, luzes irritam, luzes que ameaçam em cores sem fim,
O mundo intenso, um mundo insano, neurotípico, distante de mim,
Em cada suspiro, cada gemido, cada passo, um eco que me aflige,
E na dor, no suor e no sangue, o silêncio que a alma não atinge.
A vida com o seu ritmo, harmonia e melodia que a todos conduz,
Com suave e terna brandura, a mim só me cega, me rouba a luz,
Odores bailam em minhas narinas, impiedosos invadem meu ser,
Peço, imploro, procuro, e não há uma barreira para me proteger,
Em cada voz, em cada som, em cada ruído que me invade,
Me sinto só em meio a multidão, solidão em meu peito reside.
Um mar de gente, como um mero rebanho avança sem ver,
Que meneia a cabeça, aponta o dedo, sem querer entender,
A gente se esforça, a máscara pesa, nosso esforço é em vão,
Em cada olhar, em cada sorriso, em cada afago a desintegração,
E em meio a empatia hipócrita, a incompreensão, o único assalto,
É a ilha que isola a alma e em meio ao oceano, é um muro tão alto.
Eu choro sem lágrimas, eu grito sem voz ao mundo, um segredo mudo,
A mão que acena, a expressão contradiz, o sofrer que num gesto aludo,
Em cada olhar, em cada abraço, em cada amar que não me alcança,
A sombra da alma, o sofrer, meu eterno trauma, a dor que me cansa,
O mundo é de vocês, o mundo é normal tipicamente feito para encaixar,
Enquanto, eu, em meu canto, observo, máscara, imito, repito, tento respirar.
Mas, há esperança, há um refúgio, há um norte para o meu caminhar,
Onde os sons se calam, cessam os ruídos e há silêncio pra me abrigar,
Onde a luz é suave, perfumes são brandos, onde a calma irá me guiar,
Na força que tenho, na minha magia, na brisa serena que um dia irá me levar
E do meio da dor e do caos que me cerca, esperança na morte erguerá enfim,
Um novo mundo, um novo horizonte, um novo sol, um brilho que habitará em mim.
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