CHARGE D'5ª

O espelho e a fonte
​Imagine que a justiça é uma fonte de água onde todos bebem. Se a fonte é limpa, mas o espelho que a reflete está manchado, ninguém terá coragem de se beber dela. Não importa se a água é potável; se o reflexo traz a sombra da dúvida, a sede do povo se transforma em medo. Para quem ocupa a cadeira mais alta, ser a fonte exige também zelar pela nitidez do espelho.

A túnica da vida pública 

A vida pública é um tecido feito de fios de ouro e fios de algodão. O fio de ouro é a integridade real; o de algodão é a percepção do mundo. Se a túnica parece puída, de nada adianta o tecelão jurar que usou o melhor material. A harmonia, como pregava Pitágoras, exige que a estrutura interna e a aparência externa vibrem na mesma frequência. Quando um ministro permite que o ambiente familiar se torne um puído, ele quebra a sinfonia da imparcialidade.

O templo de vidro
Viver sob o manto da alta magistratura é como morar em um templo de vidro no centro da praça. A função exige que não existam cortinas. Se alguém dentro do templo começa a desenhar nas paredes, quem está do lado de fora não consegue distinguir se o desenho é uma arte ou uma rachadura. A autoridade não se sustenta apenas na caneta, mas no silêncio absoluto de quem está ao redor.



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