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SALMO PARA MEU AMOR

Um poema de Cao Benassi Para Gabriel  Devotado aos teus pés Rendo a ti o meu louvor Encantado com o que tu és Entrego a ti o meu amor Sol que ilumina o meu mundo Rompa da noite os seus véus E num sentimento profundo Sejas a luz dos olhos meus No teu peito, o meu altar Sem reservas, oferto meu ser Imolada seja ao nosso amar A beleza desse divino querer

DIVER NEU GERENCIA

Um poema de Cao Benassi  Para um poeta autista Na imensa teia de monstruosos sons, a minha mente se perde, Um simples toque do ar, na minha mente uma dor que não cede, Luzes gritam, luzes irritam, luzes que ameaçam em cores sem fim, O mundo intenso, um mundo insano, neurotípico, distante de mim, Em cada suspiro, cada gemido, cada passo, um eco que me aflige, E na dor, no suor e no sangue, o silêncio que a alma não atinge. A vida com o seu ritmo, harmonia e melodia que a todos conduz, Com suave e terna brandura, a mim só me cega, me rouba a luz, Odores bailam em minhas narinas, impiedosos invadem meu ser, Peço, imploro, procuro, e não há uma barreira para me proteger, Em cada voz, em cada som, em cada ruído que me invade, Me sinto só em meio a multidão, solidão em meu peito reside. Um mar de gente, como um mero rebanho avança sem ver, Que meneia a cabeça, aponta o dedo, sem querer entender, A gente se esforça, a máscara pesa, nosso esforço é em vão, Em cada olhar, em cada sorriso, e...

GERAR PARA VIVER

Um poema de Cao Benassi  Na tecelagem da vida Fios virtuosos se entrelaçam Amor e bondade se enlaçam  No gerar da alma desprendida Se uma mão se abre, nada lhe falta A semente doada se transforma em flor Pois aquilo que se esvazia por amor Transborda virtude que o ser exalta Pão repartido, palavra que acalma Um gesto nobre, retorno não cobra Na entrega que a alma se dobre Generosidade, engrandece a alma  

MINHA OBRA PRIMA

 Um poema de Cao Benassi  Para Gabriel  És a melodia ainda não tocada o acorde que ainda não soou a harmonia ainda não ouvida És    a abertura ainda não estreada a ária que a soprano não cantou a ópera que ainda não foi cantada És o libreto ainda não lido o épico que ninguém ouviu o épico ainda desconhecido És  o ritmo mais erudito  que os Deuses a mim intuiu e que no meu manuscrito és O amor  que ainda estou a compor

AMOR

Um poema de Cao Bneassi  No éter vasto, antes de tudo existir, Um pulso acendeu, a chama primordial. Não era luz, nem trevas, nem tempo porvir, Era sentimento, era Amor, força imortal. Pelo amor as estrelas bailam no céu, Pelo amor a terra passou a girar. Em cada flor, em cada coração, Doce melodia, é sua mão a nos guiar. O Amor rompe muralhas, ele desfaz a dor, Ele Inspira o bardo, a espada do herói. Ele é a ponte que une, o mais puro fulgor, Ele é a essência que nunca se destrói. Nas almas irmãs, num simples olhar, Ali, o Amor se faz lar, se faz mar, Onde a entrega flui, sem nada a pedir. Se faz um laço eterno, se faz amar. E assim, em cada beijo, em cada abraço, Em cada riso ou lágrima que venha rolar, O Amor se expande, preenche todo espaço, A mão divina que nos liberta, a nos salvar.  

MEU SOL

Um poema de Cao Benassi Para Gabriel  És o sol que acende toda a tua luz em mim, Não há noite escura quando me olhas assim, És o farol que minha alma guia, do princípio ao fim. És o brilho minha alma abraça, dela afasta a dor, Ilumina minha alma e me incendeia o seu calor, És o sol, que acende toda a tua luz em mim. Em cada sorriso, em cada olhar, vejo o seu fulgor, És melodia, és ritmo, és a harmonia do meu amor, Meu sol, que acende toda a tua luz em mim, És farol que minha alma guia, do princípio ao fim.

VIRTUOSAMENTE GRATO

Um poema de Cao Benassi   Com o orvalho da manhã, um simples obrigado brota, Meu coração se expande, a alma leve, a dor se esgota.  Por cada raio de sol que a terra ilumina e abraça,  Por cada brisa suave que pelo meu rosto passa,  No canto dos pássaros, na flor que se desabrocha,  A gratidão que me eleva, a minha vida renova,  Em cada pequeno gesto, uma bênção, uma boa-nova. Pelos laços que nos unem, pelo amparo que conforta,  Pelo apoio e pela mão estendida que nos guia à porta.  Nas palavras de carinho, no olhar que nos compreende,  Na força que persiste, no amor que sempre acende.  Em cada aprendizado, mesmo na dor que nos açoita,  A gratidão renasce, a esperança, novo ânimo suscita, Como um rio que flui constante, a alma sempre renova. Por cada gota de chuva que a seca ameniza,  Pelo pão na mesa farta, a fome que tranquiliza.  No silêncio da noite, nas estrelas que reluzem,  Nas lições que a vida com sabedoria...

ESTAR PRONTO OU ESTAR DISPOSTO: EIS A QUESTÃO

Uma crônica de Cao Benassi Às vezes, nossas atividades são tantas e nos tomam tanto tempo, que coisas essenciais, tais como o ócio, vão ficando em segundo plano. E não estou falando aqui de ócio no sentido que hoje conhecemos. Aquele que quando nossos ouvidos captam o signo linguístico, traz logo a imagem do ser em trajes menores, largado no sofá, sem fazer absolutamente nada. Reporto-me ao sentido original da palavra, que significa o tempo dedicado às coisas da alma.  Os últimos acontecimentos do cotidiano são desconcertantes. Pior que eles, só mesmo a forma como as pessoas, que sem capacidade alguma de distinguir fatos de opiniões e opiniões de verdades, se regozijam com a mentira e comemoram a morte. É desastrosa a condição humana neste que também é o meu tempo.  Já faz algum tempo que perdi a pouca disposição que eu tinha para as notícias tendenciosas da TV, para o cinema e seus folhetins panfletários e para tudo o que o capital e suas artimanhas nefastas armaram só para m...

PESAR - SETEMBRO DE 2025

  PESAR, ANO 2, N. 21, SET. 2025 No número anterior da série de textos filosóficos PESAR, refletimos um pouco sobre a fofoca, sobre como desenvolvemos interesse por assuntos que não nos dizem respeito e neles mantemos o nosso foco. Também abordamos a importância da conscientização da presença da debilidade da fofoca ou de qualquer outra em nós, para então reconhecer que é necessário mudar, e assim, aceitar e buscar a mudança, esse seria em tese o primeiro passo. Porém, o mais importante para nós, seria se manter firme no cultivo de uma vida mais virtuosa.  Neste número, continuaremos a refletir sobre a debilidade da fofoca e formas de superá-la. Uma das formas de se fazer isso, é empreender uma busca por interesses que enobrecem a alma. Esse pode ser considerado o primeiro passo para silenciar a fofoca. Poderíamos afirmar com muita tranquilidade que uma mente que se ocupa com a arte, com a ciência ou com a filosofia, por exemplo, não tem espaço para trivialidades. Nesse sentid...

CASINHA DE PAPEIZINHOS; TETO DE PAPELÃO

  Um conto de Cao Benassi Na Banânia, era comum que as reuniões e demais convescotes do Palácio da Justiça e outras “casas do povo”, fossem regadas a vinhos, queijos e lagostas importados, que somados aos altos salários e penduricalhos, de toda a sorte, da politicama e dos juízes e seus asseclas, fazerem com que, pelas ruas irregulares e esburacadas das cidades bananienses, o povelo vivesse se abaixando, arrastando seus passos pelo peso “imposto” do sofrer.   Descia o trabalhador deixando acima a mulher grávida; abaixo ficava a cidade, e o pobre como qualquer outro desvalido da Banânia, se perdia em seu emaranhado de ruas que para os moradores da casinha de papeizinhos de teto de papelão, o hoje fosse o mesmo que o ontem, vivendo uma vida num mundo sem amanhã.  A chuva caía impiedosa sobre a imponente capital da Banânia. Dada a dita e dura da toga, impetrada pelo seu mais infame representante, o Juizinho Mandão, o paraíso na terra, belo por natureza, abençoado pelos ...